A primeira-ministra britânica Liz Truss prometeu que o Reino Unido e seus aliados ocidentais garantirão que Taiwan seja capaz de se defender contra uma eventual agressão chinesa. Em entrevista à rede CNN, ela apontou os erros nesse sentido cometidos com a Rússia, que vieram a permitir a invasão da Ucrânia. E afirmou que eles não se repetirão com a China.
“O fato é que o mundo livre não fez o suficiente para combater a agressão russa cedo o suficiente. E Putin foi encorajado a iniciar esta terrível guerra”, disse a premiê. “Não podemos ver essa situação acontecer em outras partes do mundo”.
A promessa de Truss surge uma semana depois de o principal aliado dela, o presidente norte-americano Joe Biden, afirmar que “sim”, as forças armadas dos EUA partiriam em defesa de Taiwan em caso de uma agressão por parte da China.
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“Tive um encontro muito bom com o presidente (Biden). Falámos de muitas, muitas questões. Mas o cerne da questão, o cerne da questão, é a nossa crença na liberdade, a nossa crença na democracia. E é nisso que precisamos continuar trabalhando, porque enfrentamos um mundo cada vez mais inseguro”, afirmou a primeira-ministra.
Segundo ela, EUA, Reino Unido e os demais países do G7 têm trabalhado para reduzir a “dependência estratégica” da China, assegurando assim que tenham uma “resposta comum” a uma eventual agressão militar de Beijing.
“Bem, o que tenho sido clara em dizer é que todos os nossos aliados precisam garantir que Taiwan seja capaz de se defender. E isso é muito, muito importante”, afirmou ela. “Nós precisamos aprender as lições da Ucrânia”.
Por que isso importa?
Taiwan é uma questão territorial sensível para a China. Nações estrangeiras que tratem a ilha como nação autônoma estão, no entendimento de Beijing, em desacordo com o princípio “Uma Só China“, que também encara Hong Kong como parte do território chinês.
Embora não tenha relações diplomáticas formais com Taiwan, assim como a maioria dos demais países, os EUA são o mais importante financiador internacional e principal fornecedor de armas do território. Tais circunstâncias levaram as relações entre Beijing e Washington a seu pior momento desde 1979, quando os dois países reataram os laços diplomáticos.
A China, em resposta, endureceu a retórica e tem adotado uma postura belicista na tentativa de controlar a situação. Jatos militares chineses passaram a realizar exercícios militares nas regiões limítrofes com Taiwan e habitualmente invadem o espaço aéreo taiwanês, deixando claro que Beijing não aceitará a independência formal do território “sem uma guerra“.
A crise ganhou contornos mais dramáticos após a visita de Pelosi, primeira pessoa ocupante do cargo a viajar para Taiwan em 25 anos, uma atitude que mexeu com os brio de Beijing. Em resposta, o exército da China realizou um de seus maiores exercícios militares no entorno da ilha, com tiros reais e testes de mísseis em seis áreas diferentes.
O treinamento serviu como um bloqueio eficaz, impedindo tanto o transporte marítimo quanto a aviação no entorno da ilha. Assim, voos comerciais tiveram que ser cancelados, e embarcações foram impedidas de navegar por conta da presença militar chinesa.
Beijing, que falou em impor “sérias consequências” como retaliação à visita, também sancionou Taiwan com a proibição das exportações de areia, material usado na indústria de semicondutores e crucial na fabricação de chips, e a importação de alimentos, entre eles peixes e frutas. Quatro empresas taiwanesas rotuladas por Beijing como “obstinadas pró-independência” também foram sancionadas.
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