A China prendeu um terço dos 273 escritores, acadêmicos e intelectuais detidos em 2020, aponta o índice Freedom to Write, da organização de direitos humano PEN America. Arábia Saudita e Turquia vêm em seguida.
O número de intelectuais presos no ano passado aumentou em relação a 2019, em grande parte por conta da pandemia. Só a China prendeu 81 escritores – mais da metade por relatar e criticar a resposta de Beijing à Covid-19.
Quase metade dos detidos foram presos por denunciar violações nas regiões autônomas de Xinjiang, Tibete, Mongólia Interior e Hong Kong.
O relatório cita o caso de Li Wenliang, o primeiro médico a alertar sobre a Covid-19 em Wuhan. Autoridades o detiveram por “espalhar boatos sobre saúde pública”. Li morreu após ser contaminado pelo vírus.
Os números da China incluem vários jornalistas que documentaram a pandemia, como Zhang Zhan e Chen Qiushi. Um tribunal condenou o poeta Zhang Wenfang a seis meses de prisão por publicar uma peça em que relatava a experiência dos cidadãos chineses com a pandemia.
Além da prisão, os detidos também ficam reféns do Estado, que pode fechar suas páginas e contas, disse a diretora de pesquisa da Freedom House, Sarah Cook, à emissora VOA (Voice of America).
Prisões ao redor do mundo
Apesar de ser maioria, as prisões a escritores não se restringem à China. A região Ásia-Pacífico já prendeu a maioria de seus escritores e intelectuais, diz o relatório. Dos 273, 121 – incluindo os 81 chineses – foram detidos em Camboja, Índia, Mianmar, Sri Lanka, Tailândia e Vietnã.
A Arábia Saudita prendeu 32 escritores e intelectuais em 2020. Em seguida está a Turquia, com 25 presos. No Irã, foram 19, na Belarus, 18 e no Egito ,14. Na América Latina, os únicos países com prisões de intelectuais são Cuba, com seis casos, e a Venezuela, com um.
“Líderes em todo o mundo, tanto em autocracias quanto em democracias frágeis, usaram a pandemia e movimentos de protesto para restringir ainda mais os direitos”, concluiu o relatório.
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