Sharbat Gula, a afegã que estampou uma icônica capa da revista National Geographic em junho de 1985, quando era uma refugiada de 12 anos de idade, ganhou nesta quinta-feira (25) abrigo na Itália, onde planeja viver longe da repressão do Taleban. A informação veio do gabinete do primeiro-ministro italiano, segundo o jornal New York Post.
De acordo com o premiê italiano Mario Draghi, o acolhimento de Gula é parte da política do país de receber refugiados em meio ao deslocamento de cidadãos afegãos por conta do repressor regime talibã.
“Em resposta aos pedidos da sociedade civil, e em particular de organizações sem fins lucrativos que trabalham no Afeganistão que, após os acontecimentos de agosto passado, apoiaram Sharbat Gula em seu pedido de ajuda para deixar seu país, a presidência do Conselho de Ministros tornou isso possível, organizando sua viagem para a Itália como parte de um programa de evacuação mais amplo em vigor para cidadãos afegãos”, detalhou um comunicado emitido pelo gabinete de Draghi, ao anunciar a chegada da afegã a Roma.
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A vida de Gula seguiu agitada, mas não exatamente pela fama improvável e sem luxo que experimentou na juventude. Em 2016, ela foi presa pela polícia paquistanesa em posse de uma carteira de identidade falsa, acusação que ela negou. Depois de ser detida, ela foi deportada para o Afeganistão, onde foi calorosamente recebida pelo presidente Ashraf Ghani, de quem recebeu as chaves de um apartamento.
Vida nova
Gula chega à Itália três meses após o esvaziamento da base militar de Bagram, que nos últimos vinte anos foi o centro do poder militar dos EUA no Oriente Médio. Após a conclusão da retirada das tropas norte-americanas e dos aliados, o país se afundou em violência devido à incapacidade de as forças afegãs conterem o avanço do Taleban, que acabou reassumindo o controle do país.
Em agosto, a Itália informou ter evacuado quase 5 mil afegãos, o maior número de pessoas evacuadas por um país da União Europeia (UE).
Desde que assumiu o poder, o Taleban tem imposto seguidas normas repressivas, sobretudo contra as mulheres. No caso do código de vestimenta, a exigência é para que estudantes do sexo feminino, professoras e outras funcionárias dos sistema educacional usem burcas pretas dentro das escolas e universidades.
A repressão de gênero imposta pela organização extremista atinge também as mulheres que realizam trabalho humanitário, impactando na vida de famílias que precisam de ajuda para sobreviver em meio à crise econômica e à escassez de alimentos. Sobretudo aquelas chefiadas por integrantes do sexo feminino
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